3- FASES DO DIÁLOGO E COMO AGIR



 Acolher e esclarecer os desencarnados que sofrem, à luz do entendimento espírita e do Evangelho de Jesus, é o objetivo do dialogador espirita. Onde,  senão em uma casa espirita, um espirito desnorteado, perdido de si mesmo, totalmente equivocado, recebe esse tipo de atendimento? Viram a importância do trabalho mediúnico realizado pelo médium psicofônico, pelo médium de sustentação e do dialogador? 
Amor e estudo. Estudo e amor. Eis formula para cometer menos desacertos, e a solução para sua insegurança. 
 A seguir, temos alguns pontos importantes a considerar: se você chegou até aqui, é porque já provou a si mesmo que tem comprometimento e discernimento suficiente para assumir uma tarefa tão sublime. O pré requisito para essa função, é amor e comprometimento. Depois é o estudo teórico. 
Para infundir respeito ao comunicante, sua alma deve ter desenvolvido empatia e compaixão. Mas, não fica por ai, é preciso buscar incessantemente, desenvolver a caridade, só assim você será ouvido e sentido de forma transformadora.

PRIMEIRO MOMENTO: A RECEPÇÃO DO COMUNICANTE.
É na recepção que as coisas podem se complicar, de vez! Se sua energia não for de compaixão, o comunicante que tem a finalidade de derrubar os trabalhos no bem, já se anima. Percebe que o dialogador não tem autoridade moral.
Segundo ponto: Como receber o comunicante. Normalmente se diz:
 - Boa noite meu  irmão, seja bem vindo a essa casa de oração.
Tá certo ou errado? Vejamos. Pode ser que o espirito não esteja no mesmo tempo nosso. Se ele desencarna num processo traumático, num sol a pino, ele guarda essa imagem, ainda que não se lembre do desenrolar do fenômeno biológico conhecido como morte, ele lembra que era dia e não, noite. 
Quase sempre, devido à imaturidade com que lidamos com a morte, esse acontecimento traumático é logo arquivado no inconsciente do desencarnado, justamente porque é difícil de lidar com isso, ele esconde a realidade de si mesmo. Então, só se lembra do que ocorreu um pouquinho antes do desencarne, porque ele ainda quer ser salvo da morte, e por isso rejeita a realidade na esperança de que aquela situação ainda possa ser mudada. 
Ai o dialogador bem intencionado vem e diz boa noite! 
Pode acontecer também, que o espirito esteja tão perturbado que nem perceba a  referencia  que o dialogador fez sobre o tempo. Mas, é preferível evitar esse tipo de abordagem.
Segundo: Meu irmão. Como eu sei, que ele é irmão ou irmã? E se ele for um espirito violento, machista e você o trata como "minha irmã"? Poderá reagir negativamente a essa referencia. Tá certo que os espíritos que aparecem agressivos, geralmente são masculinos, mas, nem sempre. Também poderá responder que não é seu irmão, nem seu amigo, nem nada seu e ainda dizer:  – Você nem me conhece!
Terceiro: Nessa casa de oração. E se ele for ateu? E se seu profeta não for Jesus? Se referimos à “casa espirita” e ele tiver preconceito. Isso tudo pode causar transtornos. 
No livro "Desobsessão" de André Luiz, ele diz que o atendimento aos espíritos deve ser feito como se estivéssemos num hospital. Quando o paciente chega em estado grave num hospital, os médicos partem logo para o atendimento e no nosso caso, o mais adequado seria dizer: olá, em que posso te ajudar? Qual é o seu problema? Ou ir direto ao assunto. Este é um bom começo, mas, tudo vai depender da peculiaridade de cada atendimento e da percepção de cada dialogador.

SEGUNDO MOMENTO: OUVIR A HISTÓRIA. Se ele não quiser falar, é a hora de fazermos perguntas para descobrir a causa do seu problema. Se o foco do problema não estiver claro, o dialogador deve usar a ferramenta das "perguntas". 

Pode começar perguntando se ele se lembra de quando tudo começou. Se ele pode dizer o que o está incomodando, se ele está sofrendo.
 
Que ninguém merece sofrer tanto. 
Que as coisas que a gente faz trazem consequências, mas que todos fomos criados da mesma fonte de amor, que é chamada de Deus, e que neste momento esse criador, esse Pai, está olhando para ele e quer aliviar sua dor. 
Que é justamente o afastamento dessa fonte de amor, que causou toda a sua dor. 
Que essa é uma verdade universal. Que ele poderá sentir agora, um pouco desse amor. 
E ai é a hora da equipe de sustentação agir com mais eficácia, e usar o passe acalmar o comunicante. 
Nunca dizer que ele está errado, que ele tem que fazer determinada coisa. Muitos dizem que ele  tem que mudar, tem que aceitar Jesus, tem que aceitar Deus... Tudo isso é muito abstrato para quem está em situação de descontrole emocional, justamente, por ter vivido de forma contraria ao que Jesus ensinou. 
Jesus não se impõe. Ele surge de mansinho, junto com o amor e vai crescendo lentamente, conforme crescermos espiritualmente. Assim, neste caminho amoroso e compreensivo vamos descobrindo a causa de sua dor e então, podemos passar para a próxima etapa. 

DURANTE O DIÁLOGO: Vamos nos deparar com algumas dificuldades, a saber: 
Tentativa do espirito em desviar a atenção usando  Ironia;
Fuga às perguntas;
Resposta com outras perguntas;
Envolver todo o grupo na conversa;
 Fazer gracejos para provocar risos;
 Estabelecer diálogo com outro dialogador;
Captar os pensamentos dos demais trabalhadores; que pensam em intervir; Tentativa de penetrar o  psiquismo alheio.

AMEAÇAS:
 Vamos botar fogo nesta casa”
“Como você quer morrer?”
“Tenho ordens do chefe para acabar com você”
Das ameaças, destacaremos duas:
“Eu lhe conheço não é de agora”!  “Você não é este santo que diz ser”! 

O que fazer? Neste caso, devemos ter em mente, que somos falíveis sim, que estamos numa jornada evolutiva, dando o nosso melhor ali naquele momento. Por isso, por ainda sermos portadores de uma "sombra" vultosa, devemos agir com amor e não com superioridade, como se fosse um santo, tendo em mente, que:  " O amor cobre a multidão dos pecados. "Este é o momento da mão amiga e não do juiz condenador. Também por isso, a importância de  zelar pela nossa conduta e manter nossa mente em contato, e confiante nos amigos espirituais que coordenam o trabalho e "cuidam"  de nós.

TERCEIRO MOMENTO: FAZER ALGUMA PROPOSTA DE TRATAMENTO E ALIVIO DAS DORES. Sugerir que seja acompanhado até uma de nossas escolas de aprendizagem, ou hospital, sugerimos o encontrar de amigos ou pessoas em quem possa confiar... 
Sugerir esse pensamento: Se as coisas não estão bem do jeito que anda vivendo, quem sabe, uma mudança possa melhorar sua vida? 
Se você não gostar de lá, poderá voltar para onde se sinta melhor, mas que aproveite a oportunidade. Se ele confiar em você e sentir que é uma boa escolha, passaremos para a ultima etapa.

QUARTO MOMENTO: ENCAMINHAMENTO PARA OS LOCAIS DE TRATAMENTO. Poderemos dizer que estão ao seu lado (se ele ainda estiver lucido, pois ,as energias de amor costumam causar sonolência, torpor, sono e até anestesiamento de tão bom que é), amigos do bem que vão auxilia-lo, ou enfermeiros, ou professores, ou até mesmo anjos, conforme o contexto do diálogo. Que ele vá em paz e confiante, e que tenha a certeza de que fez a melhor escolha.

No próximo post, falaremos detalhadamente de cada tipo de comunicante e qual a melhor abordagem.
 
Aguardem e aproveitem o estudo. 
Beijão,

MARIA CIBELE MOREIRA PINTO

Texto baseado em entrevista que Américo Sucena deu a Orson Peter Carrara. 
Dialogadores queridos, assistam estes videos.
Adquiram e leiam o livro ao lado!!!! É Muito bom!!!!!
https://www.youtube.com/watch?v=0viJs6qD8_Q
https://www.youtube.com/watch?v=ETn1VkiEp9I
https://www.youtube.com/watch?v=ZvLph1zK85M
http://www.blogdolivroespirita.com/2015/09/falando-com-os-espiritos-americo-sucena.html

Trecho do livro:

Tratava-se de uma mulher que começou dizendo:
- Isto não é justo
- O que não é justo?
- Na época em que meus filhos, ainda pequenos, mais precisam de mim eu não estou lá para ajudá-los.( a mulher já sabia que estava desencarnada)
- E por que você não pode ajudá-los?
- Porque eu morri e meu marido pôs outra mulher para cuidar deles. (aqui o esclarecedor propôs a tela mental sem falar o termo, sugerindo aos mentores e ao espírito a possibilidade)
- Já considerou a possibilidade do que aconteceu ter sido justo?
- Como pode ser possível?
- Observe, você vai ver alguma coisa.
- Sim, estou vendo
- O que aconteceu?
- Eu estou vendo uma outra vida
- Sim...
- Eu era casada com o mesmo marido e tinha os mesmos filhos
- E então...
- Eu abandonei a família..marido e filhos..
  

 

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